segunda-feira, 9 de setembro de 2019

sexta-feira, 24 de maio de 2019

A rainha introspectiva


Era uma vez uma mulher que se identifica pelo nome de Aparecida Augusta. Ela é uma rainha e vive escondida em um castelo há vários anos. Quanto à sua idade, não gosta de falar, no entanto disse que nasceu em 1938.
Neste dia ou por ser uma forma de se preservar, mostra-se arredia ao contato e responde de forma curta e direta. Conta ela que nasceu em cidade do interior de São Paulo, um local de nome Pindorama. Este nome: Pindorama é derivado do Tupi-Guarani, e era como os nativos denominavam o Brasil quando chegaram as expedições portuguesas.
Aparecida Augusta não conhece sua terra natal, saiu ainda na primeira infância junto com a família em direção à cidade de São Paulo. Relata que pouca recordação tem da infância e ressalta de forma enfática que a mãe era muito severa, batia muito, era “educação bem diferente do que temos hoje”. Tinha dois irmãos e eles ficavam aos cuidados de vizinhos, no horário que a mãe trabalhava. Conta que a mãe exerceu a ocupação de cozinheira e lembra que uma das coisas que mais gostava dos quitutes maternos era a bala de coco, “uma delícia”. Não aprendeu fazer as balas e não tem muito conhecimento de cozinha como a sua mãe.
Aparecida Augusta estudou pouco, segundo ela, até o terceiro ano do ensino fundamental. E atribui que sua saída da escola foi para trabalhar em casa de família. Lembra que trabalhou em uma família cuidando de crianças, sua função era levar os pequenos para passeios no parque e praças, não lembra se contava história para eles. Cita de forma triste que a situação de sua vida começou a ter dificuldade quando não mais conseguiu trabalho e precisou buscar lugares para “comer sopa”. No seu castelo, ela está há dezoito anos, não tem contato com parentes. Gosta do local e sente-se protegida “porque lá fora tem muitos bandidos”. Como diversão, gosta da música de Roberto Carlos e sua preferida é Jesus Cristo, não soube dizer o motivo e se recusou a cantar. Também gosta de jogar dominó. Neste jogo, ela mostra-se com habilidade para colocação das peças, uma vivacidade que não apresenta quando conversou sobre sua vida. Ao se despedir, expressa um sorriso e está receptiva ao contato físico. Assim, Aparecida não quis se mostrar para o mundo, pelo menos, neste dia não está com disponibilidade para falar muito e ser descoberta em seu castelo...

Autora: Deise M R de Amorim
Idosa: Aparecida Augusta

Matilde de Belém


Dona Matilde, uma simpática paraense de 83 anos, nascida em Belém do Pará, veio moça para São Paulo, para trabalhar com a "coragem e a cara". Então, logo arrumou emprego em uma firma grande, onde fazia de tudo. Ela adorava dançar e, um dia, em um baile conheceu o Paulo, um "morenão" que dançava muito bem. Conta com orgulho e brilho no olhar, que ele era muito disputado pelas mulheres, mas ela foi a escolhida para namorar. Eles conversaram, "andaram muito por aí", e depois de seis meses de namoro foi cada um para o seu lado. Tiveram uma filha juntos, a Silvana. Dona Matilde adora São Paulo e embora a filha e familiares estejam no Pará, não gostaria de voltar, pois ama o abrigo e "ESTAR VIVA" é o seu maior presente. Ela ainda conta ser uma ótima cozinheira, inclusive de pratos típicos da região de Belém, como os peixes e o pato com tucupi. Também adora os passeios para a fazenda, organizados pelo abrigo. Ah! E sabe o "morenão"... Ele está por aí... Ainda o vê ...

Autora: Adriana Minghetti da Silva
Idosa: Matilde

segunda-feira, 29 de abril de 2019

Mineirinha Da Peteca


Dona Maria Aparecida, ou melhor "dona passeadeira", adora passear na Penha para andar e também comprar em algumas lojas. Quando criança era muito boazinha, eram em seis mulheres e ela era a do meio; nunca apanhou do pai, nem da mãe, acha muito feio bater nos outros. Gostava de dançar, pular corda, brincar de roda e era campeã da peteca. Nascida na cidade de Machado em Minas Gerais, casou em São Paulo com o namorado também mineiro de Machado. Seus olhos brilham quando diz que ele era tão bonito quanto ela. Tiveram uma filha e possuem um neto. A dona Cida como o namorado a chamava diz ser muito feliz e que sente saudades de Minas, principalmente da comida, pois adorava uma polenta frita e uma costelinha de porco bem gorda, mas que agora não há mais ninguém por lá.

Autora: Adriana Minghetti da Silva
Idosa: Maria Aparecida

terça-feira, 23 de abril de 2019

Minha Vida


Meu nome é Arnóbio, mas não sou o único com este nome não, pois conheço um outro também. Tenho 88 anos. Fui casado com a mesma mulher por 54 anos. Tivemos 3 filhos e hoje tenho já 3 netos e 2 bisnetos. Meus filhos me visitam algumas vezes, mas um deles está em coma há vários anos.

Trabalhei em vários serviços. Estudei até o científico e já estava começando a fazer a faculdade de direito. Nesta época trabalhava numa firma italiana de cabos de comunicação. Mas veio a Embratel, a firma fechou e não pude terminar meus estudos. Trabalhei vários anos como autônomo. Não gosto de futebol. Prefiro ouvir e ver os noticiários, música e coisas que me esclareçam. Mas fiz várias coisas interessantes. Durante nove meses (1990/91)fui trabalhar nos Estados Unidos. Morei em Nova Jersey que fica ali, grudada em Nova York. Trabalhava num lava-rápido que ficava bem em frente à Estátua da Liberdade. Eu achava que a estátua ficava num lugar bem alto, mas não, ela fica no chão mesmo. Não cheguei a visitar a Estátua da Liberdade, mas tenho uma foto nas Torres Gêmeas. Aprendi inglês, mas não gosto muito. É uma língua anglo-germânica e acho difícil. Aprendei também alemão, espanhol e japonês. Tenho um filho que é casado com uma nissei e morou um tempo no Japão. Ele me convidou para visitá-lo , mas veio o tsunami, ele voltou para a Brasil e acabei não indo. Gosto da língua japonesa. Acho melhor o japonês que o inglês.

Autora: Margareth Nardi
Idoso: Arnóbio